post-title Sente azia, queimação ou ardor no peito? Você pode estar com refluxo!

Sente azia, queimação ou ardor no peito? Você pode estar com refluxo!

Informativo

A doença do refluxo gastroesofágico é um problema que atinge pelo menos 20% da população mundial e pode ocorrer em todas as faixas etárias e em ambos os gêneros. No Brasil, estima-se que sejam mais de 20 milhões de pessoas com este problema, sendo ele responsável pela maior parte das consultas ao gastroenterologista. O refluxo exige cuidados complexos e determina especial atenção no diagnóstico e tratamento.

A principal causa da doença é a abertura da válvula esofágica, que controla a passagem do alimento para o estômago. O refluxo nada mais é que a perda de controle desse mecanismo que faz com que o alimento e o líquido estomacal voltem do estômago para a boca, causando a sensação de queimação.

Conversamos com o médico Dr. João Couto, que faz cirurgias para tratar o refluxo gastroesofágico. Ele nos relata quais são os principais sintomas e os tratamentos indicados:

Ter refluxo pode ser considerado normal?

Na verdade, o refluxo acontece até em crianças e bebês e pode ser considerado normal quando não há sinais e sintomas. Em bebês de até 1 ano de idade é muito comum e, na maioria dos casos, desaparece com o crescimento.

Na DRGE (sigla que designa o refluxo gastroesofágico) o conteúdo do estômago, incluindo a secreção ácida e alcalina, retornam para o esôfago e provocam inflamação no esôfago, podendo ocasionar alterações esofágicas e/ou gástricas. 

Essas alterações no esfíncter (músculo de fibras circulares), que separa o esôfago do estômago, criam a hérnia de hiato: situação provocada pelo deslocamento da transição entre o esôfago e o estômago, que se projeta para dentro da cavidade torácica e a fragilidade das estruturas musculares existentes na região.

Causas como distúrbios motores do esôfago, aumento da pressão abdominal e retardo no esvaziamento do estômago devem ser considerados.

Pacientes de cirurgias bariátricas têm tido este problema com bastante frequência, principalmente os que já vinham com a doença antes da cirurgia.

Quais os principais sintomas?

Azia, dor no peito, regurgitação, tosse seca, rouquidão, dor de garganta, náusea após refeições, afta, pigarro, sinusite, otite, sensação de “bolo na garganta” e erosão dentária são os sintomas mais frequentes.

Comumente podemos caracterizar o refluxo através de dois tipos de manifestações:
– típicas: pirose e regurgitação ácida;
– atípicas: divididas em pulmonares, otorrinolaringológicas e orais.

Uma das principais consequências do refluxo ácido ou alcalino é o desenvolvimento de um processo inflamatório nas vias respiratórias, geralmente identificado pela  manifestação de rouquidão.

Quais são as principais causas ou grupos de risco?

O grupo de pessoas mais propício para desenvolver o problema incluem:  obesos; mulheres grávidas; quem tem hérnia de hiato; fumantes; asmáticos; diabéticos; quem tem atraso no esvaziamento do estômago; portadores de esclerodermia e ainda outros distúrbios do tecido conjuntivo. 

Novos hábitos devem ser adotados?

Muitas mudanças de comportamento podem auxiliar, entre elas: evitar alguns alimentos (chocolate, pimenta, menta, hortelã, frituras, molhos vermelhos, café, bebidas alcoólicas).  Eles favorecem o retorno do conteúdo gástrico.

Eliminar o cigarro, perder de peso e evitar usar cintos ou roupas apertadas na região do abdômen são importantes medidas para reduzir os sintomas.

Além disso, se for possível: a pessoa não deve se deitar logo após as refeições, deve distribuir os alimentos em pequenas quantidades por várias refeições, fazer suas refeições com calma – sem comer muito rápido – e, por fim, realizar exercícios físicos regularmente e evitar o sedentarismo.

Como podem ser os tratamentos?

De um modo geral, depois do diagnóstico confirmado, normalmente o médico pode optar pelo tratamento com medicamentos e dieta por até oito semanas e observar se há remissão da doença.

Quando há sinais e sintomas de alarme, onde o diagnóstico passa a ser confirmado com exames complementares, o tratamento poderá ser clínico, endoscópico ou cirúrgico. Independente do tratamento determinado, as mudanças dos hábitos de vida sempre devem ser associadas.

Na maior parte dos casos, o tratamento clínico é o escolhido, mas fatores anatômicos ou casos refratários podem indicar o tratamento cirúrgico.

No tratamento clínico busca-se uma forma mais simples de diminuir as secreções de ácidos.

O tratamento cirúrgico através da fundoplicatura é seguro e eficaz. Ele é realizado na maior parte dos casos através da laparoscopia e o paciente tem alta precoce. Complicações relacionadas a cirurgia ocorrem em menos de 1% dos casos, mas sinais e sintomas como disfagia, dificuldade para deglutir e arrotar podem estar presentes em até 25% dos pacientes. 

Em muitos casos os tratamentos propostos têm como o objetivo o controle do refluxo e a melhoria da qualidade de vida, podendo haver a associação de métodos. É importante enfatizar que não se deve usar medicação sem consultar um médico especialista.

Como acontece a cirurgia para curar o refluxo gastroesofágico?

A cirurgia para refluxo normalmente serve para corrigir a hérnia de hiato, que é a principal causa de surgimento do refluxo esofágico e, por isso, o médico precisa fazer pequenos cortes na região entre o estômago e o esôfago para fazer a correção da hérnia.

Normalmente, a técnica utilizada é a laparoscopia com anestesia geral, na qual são inseridos tubos finos através de pequenos furos na pele. O médico consegue observar o interior do corpo e fazer a cirurgia através de uma câmera colocada na ponta de um dos tubos.

Quando é indicado fazer a cirurgia?

A cirurgia para refluxo é indicada quando o tratamento com remédios e dieta não traz resultados, mas também pode depender do tempo em que o paciente apresenta refluxo, da intensidade e da frequência dos sintomas e da vontade de o paciente ser operado para resolver o problema.

Como é a recuperação?

A recuperação da cirurgia para refluxo é rápida com pouca dor e poucos riscos de infecção e, em geral, o paciente recebe alta em um dia após a cirurgia, podendo voltar ao trabalho após 1 ou 2 semanas.

No entanto, para uma recuperação mais rápida, recomenda-se:

  • Evitar dirigir por pelo menos 10 dias;
  • Evitar ter contato íntimo nas 2 primeiras semanas;
  • Não levantar pesos e retomar os exercícios físicos apenas após um mês ou depois da liberação do médico;
  • Fazer pequenas caminhadas em casa ao longo do dia, evitando ficar sentado ou deitado por muito tempo.

Durante a recuperação, o médico também pode recomendar o uso de antibióticos, anti-inflamatórios ou analgésicos para reduzir o desconforto.

Entendendo a laparoscopia

Há alguns anos, a laparoscopia era considerada um procedimento invasivo, pois consistia em fazer pequenos cortes no abdome, por meio dos quais o médico reconstruía a válvula esofágica. Essa reconstrução era feita com tecidos do esfíncter esofágico, músculo estriado que também ajuda no controle da passagem dos alimentos até o estômago. 

Atualmente, a técnica evoluiu e os cortes foram substituídos por pequenos furos, quase imperceptíveis, que possibilitam a troca da válvula afetada por outra, feita com a ajuda de pequenas pinças com câmeras nas pontas que permitem a visualização em duas dimensões do local da cirurgia e facilitam o procedimento.

Dessa forma, o tratamento é pouco invasivo e menos agressivo e a recuperação do paciente é mais rápida. Além de tratar o refluxo, o procedimento pode corrigir também a hérnia de hiato, problema que acontece quando parte do esôfago, que deveria ficar no abdome, se desloca e “sobe” para o tórax, podendo causar refluxo e danificar o diafragma, músculo responsável pela respiração.

Preparo para a cirurgia

É necessário jejum de 12 horas para alimentos sólidos e de 8 horas para alimentos líquidos antes da cirurgia de refluxo. A suspensão de medicações também faz parte da indicação cirúrgica, uma vez que o uso contínuo de certos medicamentos acarreta efeitos colaterais importantes.

Exames necessários para realizar a cirurgia

Os exames necessários para fazer a cirurgia de refluxo são:

Exames gerais: hemograma completo, coagulação, raio-x de tórax e exame de urina.

Exames específicos: raios x de esôfago, endoscopia esofágica e manometria do esôfago para determinar a função esofágica.

Duração do procedimento e anestesia

A operação demora uma hora e é feita sob anestesia geral.

Cuidados após a cirurgia

A recuperação é rápida: recebe alta no primeiro dia de pós-operatório, pode caminhar devagar a partir deste primeiro dia e está liberado para exercícios físicos de 15 a 30 dias após.

O paciente deve alimentar com dieta cremosa após 6 horas. Recebe alta com dieta cremosa, permanece assim por 1 semana, realiza um raios x para certificar o resultado da cirurgia e, a partir daí inicia a dieta normal, tomando muito cuidado, em mastigar bem os alimentos.

Quanto às roupas não há restrição de uso.

Retoma à medicação inibidora de ácido logo após a cirurgia e a suspende totalmente após 15 dias.

Possíveis complicações/ riscos

Os riscos na cirurgia são decorrentes do manuseio das delicadas estruturas ali presentes. De fato, o esôfago é um órgão bastante delicado e sua manipulação deve ser extremamente precisa e com sensibilidade técnica.

Do mesmo modo que os pontos de sutura são passados juntos à grandes vasos, o cirurgião tem que ser extremamente consciente de toda a anatomia envolvida para garantir a colocação dos pontos de modo adequado.

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