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Nova técnica retira cisto com menos desgaste ao paciente

Nova técnica retira cisto com menos desgaste ao paciente
Saber, Saúde

Cirurgia minimamente invasiva é conhecida como EPSIT (Endoscopic Pilonidal Sinus Treatment), procedimento foi realizado em dezembro no Hospital Regina, em Novo Hamburgo.

Livre das dores pertinentes, causadas por um cisto pilonidal, o morador de São Leopoldo Andres Eduardo Rosales Rondon, 26 anos, se recupera, com otimismo, da cirurgia a que se submeteu em meados de dezembro. “Sentia muito incômodo para sentar, para me vestir e precisava tomar cuidado até quando caminhava”, lembra o especialista em Tecnologia da Informação, que vive na região há dois anos, desde que veio da Venezuela.

O desconforto que Andres sentia se deve a uma inflamação que se formou na região do cóccix, chamada de cisto pilonidal. A doença é relativamente comum em jovens do sexo masculino (15 a 30 anos de idade), correspondendo a até 80% dos casos. Os cistos pilonidais geralmente resultam em dor, inchaço na região, vermelhidão e calor durante a fase aguda, na qual a drenagem da secreção é fundamental para alívio do paciente, associada a administração de antibióticos.

Andres lembra que as dores começaram há dois anos, à medida que o abscesso crescia o desconforto aumentava. “Quando consultei, o médico me disse que teria que fazer uma cirurgia, e que teria um método com recuperação rápida, então eu fiz a cirurgia”, comenta Andres, que se preocupava com o tempo longo de recuperação após a cirurgia.

O paciente foi atendido no Hospital Regina, com a equipe do médico Especialista em Videocirurgia João Couto Neto, que aplicou uma cirurgia endoscópica. Foi na conversa com o especialista que o paciente descobriu que não precisaria ficar 15 dias em recuperação. Em vez de uma cirurgia convencional, Couto empregou uma técnica menos invasiva, conhecida como EPSIT (Endoscopic Pilonidal Sinus Treatment) e resulta em melhor resultado estético e menos tempo de recuperação pós-operatória, garantindo ao paciente um retorno mais rápido a suas atividades habituais.

“Aprendi esta técnica em um curso em setembro deste ano na Universidade de Estrasburgo, na França, com o Dr. Jacques Marescaux que é o fundador e presidente do Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica (IRCAD)”, explica o médico. Couto comenta que, originalmente, existe um dispositivo próprio para a técnica, fabricado por uma empresa alemã, especializada em dispositivos médicos. “Para aplicar a técnica aqui, adaptei nossos instrumentos e tivemos o mesmo sucesso”, afirma.

Cirurgia

O procedimento foi realizado com o auxílio de um instrumento ótico fino (fistuloscópio) conectado a um sistema de vídeo e irrigação com solução hipertônica, permitindo a visualização da fístula.

A retirada do conteúdo é feita através de uma pinça de apreensão de corpos estranhos, e o arcabouço (tecido de granulação) desta cavidade destruído por cauterização. Por fim, o tecido cauterizado é retirado através do atrito de uma escova de citologia e o orifício ampliado para facilitar a drenagem e cicatrização.

Esta intervenção resultou em feridas pós-operatórias bastante reduzida (menos de 2cm), com cicatrização completa ocorrendo em aproximadamente três semanas.

Apto para caminhar uma semana depois

O paciente Andres Rondon teve de retornar para a revisão uma semana depois da cirurgia. Como prova da rápida recuperação, Andres foi a pé até o consultório. “Fui de trem, desembarquei na Estação Novo Hamburgo e caminhei até o Hospital Regina”, conta. Andres diz que segue tomando os medicamentos indicados para o pós-operatório e que não sente mais dores como antes. Em relação às feridas, que no procedimento convencional restavam lesões maiores, o paciente diz que quase todas já cicatrizaram, faltando o fechamento apenas de uma ferida. “Mas nada me atrapalha em minhas atividades, apesar de um pouquinho de dor que alivia com remédio”, conta.

Seis meses poderia ser o tempo máximo de recuperação em uma cirurgia convencional para cisto pilonidal

O diagnóstico da doença pilonidal é clínico. O médico leva em conta a história do paciente, suas queixas e o exame minucioso da região afetada. Como apenas a administração de antibióticos não é suficiente, após redução da inflamação, pode ser indicada uma intervenção cirúrgica. A forma mais convencional para a retirada de cisto é por cirurgia aberta. Esse procedimento resulta em uma ferida extensa, que pode levar de sete semanas a seis meses para cicatrização completa. Porém o tratamento endosópico de cisto pilonidal encurta o tempo de recuperação.

Jornalista Susana Leite
Jornal NH – Caderno Viver com Saúde
Publicado em 06 de janeiro 2020

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